Atenção com aplicação – Turbo

Atenção com os turbos



Veja as dicas de manutenção e os cuidados na verificação do
componente com eventuais problemas para não trocá-lo sem necessidade.

Carolina Vilanova


Perda de potência, emissão de fumaça preta ou branca, ruídos e consumo
excessivo de combustível são os principais sintomas que indicam eventuais
falhas no sistema de turboalimentação. Ao escutar alguma dessas reclamações
de um clientes, no entanto, é melhor ficar atento, pois esses mesmos
sinais, na maioria das vezes, representam problemas no motor, e todo conjunto
deve ser analisado antes de remover um turbo.

O item é composto por uma turbina e um
compressor de ar rotativo, dispostos em cada extremidade de um eixo. Os
rotores do compressor e da turbina estão dispostos em carcaças e seu
funcionamento é acionado pelos gases de escape, que giram a turbina quente
e por meio do eixo movimenta o rotor de compressão, que aspira o ar e o
comprime para dentro da câmara de combustão, aumentando a potência e torque
do motor.

“O turbo não tem desgaste e não quebra
sozinho, se as manutenções no motor, como troca de óleo e filtros, e a
utilização de combustível de qualidade, forem realizadas rigorosamente de
acordo com o manual do fabricante. Uma quebra pode ser provocada por sujeira
nos filtros, bomba injetora desregulada, óleo lubrificante vencido, entrada
de pedaços do coletor de escape ou até restos de componentes, porcas e
parafusos”, explica George Norio Kikuchi, gerente de Marketing da
Honeywell, fabricante dos turbos Garrett.

O funcionamento do turbo depende dos gases de
escape, que giram a turbina do ar aspirado e comprimido, e do óleo de
lubrificação e refrigeração dos mancais flutuantes e do eixo giratório. O
óleo é um elemento muito importante na conservação do turbo e pode
acarretar problemas, por isso o mecânico deve verificar se há falta de
lubrificação ou se há contaminação, deterioração e oxidação do óleo, além
de procurar falhas no sistema de filtragem e vazamentos. De acordo com a
Borgwarner, um turbo foi desenvolvido para ter a mesma durabilidade do
motor desde que observadas as devidas manutenções recomendadas.

Para aumentar a durabilidade de um turbo, fabricantes indicam os
seguintes procedimentos:

- Verifique regularmente o nível e a
qualidade do óleo lubrificante.

– Inspecione as condições do filtro de ar.

– Verifique e limpe mangueiras, conexões e tubulação da linha de
lubrificação. Veja se essas peças não estão dobradas, ressecadas ou
amassadas.

– Substitua os filtros no prazo indicado.

– Quando trocar o filtro de óleo, encha o novo filtro com óleo novo,
instale e gire o motor, sem dar a partida, até o sistema alcançar a
pressão ideal. Em seguida, funcione o motor em marcha lenta até a pressão
se estabilizar.

Peça danificada por
contaminação, oxidação
ou deterioração do óleo

Palhetas avariadas
por possível entrada
de objetos estranhos

Trocar ou não trocar?

Antes de substituir o tubo, o técnico deve
verificar uma série de itens, para evitar que a peça seja trocada sem
necessidade. Vale lembrar que, como os sintomas de falhas do turbo são os
mesmos do motor, é necessário que se faça uma checagem no sistema
motor-turbo e solucione os eventuais problemas do motor antes da remoção do
turbo. “Tome cuidado para não trocar um turbo que está em bom estado,
pois muitos recondicionadores agem de má-fé. Eles lavam a peça descartada e
a vendem depois, como recondicionada”, alerta Norio.

No check list que o técnico deve fazer no turbo
inclui a inspeção visual do turboalimentador, do rotor da turbina e da
carcaça, do rotor do compressor da carcaça e quanto a folgas e ruídos.
Verifique o estado de parafusos e porcas, encaixe de conexões, as condições
das tubulações e da carcaça e quanto a vazamentos de óleo lubrificante.

O estado das mangueiras de admissão de ar,
filtro de ar, tubulação de escape de gases, dutos de entrada e saída de
óleo, filtro de óleo, óleo do cárter, lacre da bomba injetora e a condição
de funcionamento do motor devem ser checados, além de danos causados por
objetos estranhos.

“Nos caminhões mais antigos precisa
verificar se o respiro do motor não está entupido, pois isso aumenta a
pressão do cárter, impedindo o óleo de retornar, causando vazamento pela
carcaça do turbo”, completa.

Outra dica da Honeywell alerta o reparador para
motores que foram retificados e não passaram pela lavagem ideal, deixando
cavacos de usinagem e restos da cola química utilizada como junta para fechar
o motor e na fixação dos selos, que podem contaminar o óleo e comprometer a
lubrificação.

Tubulação de retorno do óleo

Para inspecionar o turbo sem remover a peça, o
técnico deve, em primeiro lugar, remover as conexões de entrada e saída dos
gases. O próximo passo é checar o estado das palhetas dos rotores e da
parte interna do turbo com o auxílio de uma lanterna. Examine as pontas das
palhetas e a parte interna em busca de raspagem nas peças. Gire manualmente
o conjunto eixo-rotores para checar se há dificuldade de giro ou
travamento. Além disso, movimente o eixo para cima e para baixo para ver se
não há folga excessiva nos mancais.

Lista de verificação do turbo

No
sistema de admissão e vazão de ar:

- presença da válvula de recirculação;

- possíveis danos aparentes, vazamentos ou
excesso de óleo nas válvulas;

- a bomba injetora deve estar lacrada e
sincronizada;

- a tubulação de conexão das válvulas no
sistema não pode conter óleo;

- tomada de ar para o compressor de ar na
tubulação de admissão de ar no motor quanto a vazamentos;

- lubrificação correta entre o compressor e a
admissão de ar;

- filtro de ar avariado;

- troca de filtros e óleo feitas no prazo
determinado pelo fabricante;

- presença de obstrução ou dano na tubulação
de admissão e vazão de ar, como trincas, trincas e amassados;

- condições do intercooler em relação a
trincas e amassamentos;

- estado das mangueiras do sistema.

No
sistema de alimentação e vazão de óleo:

- possíveis danos na tubulação de entrada do
lubrificante ao turbo;

- avarias nos tubos de retorno do óleo;

- nível do óleo no limite

- eventuais vazamentos de óleo no motor;

- troca do filtro no prazo determinado.

No
sistema de vazão de gazes:

- verifique se o escapamento de gases está
obstruído.

Sistema
de alimentação e vazão de óleo:

- estado da tubulação de retorno do óleo;

- condições da solda da tubulação de entrada/retorno;

- condições das conexões do óleo (parafuso
oco com olhal) em relação a borra e carbonização;

- se as juntas das tubulações apresentam
restos de cola.

Se for
necessário remover o turbo, faça depois a checagem do sistema de admissão
e vazão de ar:

- excesso de lubrificação na tubulação de
admissão de ar, entre o filtro de ar e o turbo, e nos dutos que levam ao
intercooler;

- excesso de óleo na tubulação primária do
escape;

- obstrução da tubulação de escape;

- estado das mangueiras e abraçadeiras entre
o turno e o intercooler.

Lista de verificação do turbo

Cuidado para não derrubar peças no coletor de
escape.

Verifique
se as mangueiras do retorno de óleo não estão trincadas ou ressecadas e
se o flexível de lubrificação não está furado ou ressecado, pois em caso
de ressecamento, pode soltar pedaços de borracha e entupir os canais de
lubrificação do turbo novo.

Ver
a mangueira do filtro de ar se não está ressecada, pois também pode
soltar pedaços e picotar o rotor de compressão do turbo.

Na
hora de trocar o turbo, sempre troque o óleo do motor e filtros de óleo e
ar.

Limpe
o intercooler, pois muitas vezes o óleo pode ficar acumulado no
intercooler, diminuindo sua eficiência de resfriamento e sua
durabilidade, canos danos no motor.

Nunca
utilize cola nas juntas, pois pode entrar pelos furos e entupir o canal
de lubrificação do turbo.

Verifique
a junta do coletor em relação a vazamentos.

Certifique-se
que o aperto dos parafusos estão com o torque indicado.

Se
há trincas ou porosidade no coletor.

Se
há vazamentos na junta da flange de entrada de gases na turbina.

Pirata
não!

Os fabricantes alertam para a pirataria dos
componentes. De acordo com a Honeywell, os turbos piratas não detém a
tecnologia do produto e trabalha com medidas e tolerâncias ineficazes, já
que essas medidas são segredos de fábrica. As peças internas da peça não
são originais e sem qualidade, além do material e a espessura dos
componentes comprometerem a durabilidade do produto e a segurança do
usuário. A menor eficiência do turbo cópia, pode ocasionar, excesso de
temperatura, aumento do consumo de combustível, perda de potência e
fumaça.

É importante que o técnico saiba também como
diferenciar uma peça remanufaturada de uma recondicionada. A BorgWarner
explica que uma peça remanufaturada de fábrica atende todos os padrões de
qualidade exigidos nos novos, com a utilização de peças internas
originais, medidas apropriadas e eixo Standart. Para esse equipamento a
empresa oferece 1 ano de garantia nacional.

Já a recondicionada é feita fora da fábrica
sem a utilização de peças originais. Os mancais são feitos sob medidas
inexatas e os eixos são recuperados. Algumas vezes, são utilizadas ”
soldas” para recuperar carcaças. Os recondicionadores não possuem
equipamentos para regulagem das vávulas Waste Gate e balanceamentos de
altas rotações. O preço mais é menor do que o remanufaturado, mas a
durabilidade é comprometida e a garantia também.

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